Comes as emoções em vez de as reconhecer e aceitar.
Quantas vezes em pequenos nos diziam “não fiques triste”, “não chores”,
“não chores que és forte”?
Era uma forma de não aceitar o que sentíamos e de achar que sentir tristeza, raiva, era algo mau, proibido. Mas não… se a emoção existe deve ser reconhecida porque orienta-nos!
Muitas vezes comes não por ter fome mas como forma de compensação ou de fuga do que sentes.
É muito comum mas vou partilhar-te o que acontece e como é que, num processo, podes ir criando uma mudança.
E isto faz parte do teu auto-conhecimento!
Porque enquanto não reconheceres o que o teu corpo te diz, não consegues mudar.

Tantas pessoas hoje em dia que acordam com o despertador, à pressa, a fazer mil coisas, trânsito, trabalho, responsabilidades, 1001 pensamentos à mistura, objetivos para cumprir, tarefas para terminar…
Nem sempre páras para respirar profundamente…sentir o corpo…nem sempre páras para simplesmente não fazer nada, não é?
Por vezes até há um sentimento de culpa se parares…tantas vezes podes estar a priorizar os outros e não tu.
Tantas vezes te ficou no inconsciente que o teu valor está no que fazes, no que tens, no que conquistas…podes até ter sido elogiado(a) por essas conquistas e não apenas por quem és.
O teu valor está em quem és e ninguém te pode tirar isso.
Mas primeiro és tu quem tem de reconhecer!
É um caminho…
Tudo isto, entre outros fatores, são um stress e este aumenta a produção de cortisol que acaba por influenciar o comportamento alimentar - e não só! Até porque muitas pessoas querem dormir a noite toda, e de forma profunda, e não conseguem também por isso…o cortisol está elevado!
Então há pessoas que ficam sem fome e outras com “fome”, dependendo do tipo de stress.
Mas de uma forma geral, uma pessoa que chega a casa cansada, aborrecida, que se sinta triste e naturalmente não vai dizer “ai estou triste, apetece-me bróculos!”.
O que vai fazer é procurar mais hidratos de carbono (pão, bolos, bolachas, massa, arroz, etc), gorduras mais crocantes (batatas fritas, frutos secos e muitas vezes com sal) para preencher ou fugir do que sente.
Sente aquele prazer do momento e acaba depois por, muitas vezes, sentir culpa, frustração,
e isso alimenta o ciclo de ir comer mais.
Então o que podes fazer?
1º: Garantir com um nutricionista que as tuas refeições estão nutritivas e saciantes - diz-me a experiência que quando alguém diz que come de forma saudável e equilibrada, normalmente não o faz… Então muitas vezes quando chegas a casa não comes realmente por fome.
2º: O que gostas de fazer? O que te dá prazer? O que adoravas fazer em pequeno(a) e nunca mais fizeste? Alguma coisa que sintas falta? Pensa nisso…escreve até! Tira esse momento para ti.
3º: Vais começar a incluir no teu dia-a-dia coisas que te dêem prazer para começar a substituir a comida (tal como quem fuma, bebe álcool, consome drogas, etc, utiliza o mesmo mecanismo de compensação/fuga/preencher um vazio).
4º: Será pintar, desenhar? Falar com alguém? Brincar com os filhos? Passear o cão? Abraçar o(a) companheiro(a)? Ler, fazer legos? Ir dar uma volta? Sentir a areia ou a terra nos pés? Bricolage? Dançar, cantar sem que ninguém te veja e ouça? Tocar um instrumento? Apenas deitar na cama ou sentar no sofá com uma música, respirar e desfrutar?
Faz algo! Nem que seja por 20min antes de continuares com as tuas rotinas de casa.
5º: Isto irá permitir-te também aumentar as hormonas do prazer, estar mais conectado(a) contigo. Permite-te sentir porque és um SER-humano e não um FAZER-humano.
6º: Começa conscientemente a trocar a sensação de querer ir comer por outra coisa. Vais gastar mais energia porque vais começar a criar um novo hábito, mas todos temos capacidade de nos adaptar, de recomeçar e acima de tudo…se há vontade, há uma porta que se abre para um novo caminho!
7º: Nem sempre vais deixar de comer e está tudo bem. Tira o chicote se acontecer. É um caminho… quando éramos bebés também não começámos a andar à primeira e muito menos saímos do colo da mãe e começámos a correr e a saltar!
Última sugestão…
Quando voltares a comer, fala contigo como se falasses com o teu melhor amigo ou com quem que gostes muito.
Com carinho, paciência e compaixão.
A Nutrição não começa pelo que comes.
A Nutrição começa por como te sentes contigo mesmo(a) e isso irá determinar as decisões que tomas e a forma como comes.
Em vez de comeres as emoções, abraça-as. Aceita-as. Respira fundo e sorri porque sentes!
Até já!